Como elevar o desempenho da sua estação de tratamento de efluentes com a análise microscópica do lodo

Como elevar o desempenho da sua estação de tratamento de efluentes com a análise microscópica do lodo

Tempo de leitura: 5 minutos

Saiba por que é importante analisar e monitorar o lodo biológico do seu processo, e como isso pode trazer uma redução de custos astronômica para sua planta.

Como está o desempenho da sua estação de tratamento? Análise microscópica do lodo integra o seu plano de monitoramento? Já possui um microscópio na sua ETE? Se ainda não, veja porque esse equipamento é indispensável!

Uma das modalidades de tratamento largamente adotada é o processo de lodos ativados, constituído de duas unidades (tanque de aeração e decantador secundário), onde no primeiro ocorre a decomposição aeróbia do substrato orgânico e a formação dos flocos biológicos para posterior sedimentação no decantador secundário.

A elevada concentração de biomassa no tanque de aeração é mantida através da recirculação dos sólidos sedimentados no decantador, possibilitando a permanência da biomassa no sistema bem como a garantia de elevada eficiência na remoção da matéria orgânica.

A parcela dos sólidos sedimentados e não recirculado é removida do processo como lodo excedente.

Embora essa modalidade de tratamento seja de elevada eficiência, via de regra acima de 95% em remoção de DBO, é comum nos depararmos com instabilidade ou alguma disfunção operacional, posto isso, conhecer a biomassa do seu sistema e suas propriedades é ponto crucial na adoção de medidas corretivas, como também monitorar o desenvolvimento e crescimento de bactérias e outros organismos que desempenham papel positivo (nitrificadores) ou não tão positivos (filamentosas), quando em excesso.

Sabemos que o processo de lodos ativados possui uma comunidade microbiana complexa composta principalmente por bactérias, que desempenham papel central no processo de depuração, também é composto por protozoários e metazoários (rotíferos, nematóides e outros).

A observação microscópica de formas de vida presentes no lodo pode ser relacionada a eficiência do desempenho da sua estação de tratamento, processo e a qualidade do efluente final.

Existem quatro grandes grupos de microorganismos encontrados no processo de lodos ativados:

1. Bactérias

Principais responsáveis pela estabilização da matéria orgânica.

2. Protozoários

Os protozoários desempenham um papel crítico no processo de tratamento removendo e digerindo bactérias dispersas e partículas em suspensão, contribuindo de forma expressiva na diminuição da turbidez do efluente tratado.

Os protozoários podem ser divididos em grupos de acordo com o tipo de organela utilizada para locomoção e captura de alimentos, a predominância de determinado tipo de protozoário também nos indica qual a performance do tratamento, veja:

  • Amebas (rizópodes) – início de processo e nitrificação
  • Flagelados – energia elevada
  • Ciliados – clarificação do efluente removendo partículas em suspensão
  • Ciliados livre natantes –  redução da turbidez
  • Ciliados predadores de flocos – processo caminha para o equilíbrio
  • Ciliados fixos ou pedunculados – bom desempenho, nível de equilíbrio

3. Metazoários

São organismos multicelulares, maiores que a maioria dos protozoários, são representados no processo de lodos ativados pelos anelídeos, rotíferos, nematóides e tardígrados, geralmente dominantes em condições de elevada idade do lodo, veja o papel de cada um no sistema:

  • Rotíferos – estado tendente à superoxidação
  • Nematóides – alimentam-se de bactérias, fungos, pequenos protozoários e outros nematóides, indica superoxidação do lodo
  • Tardígrados (urso d’água) – tem papel pouco conhecido, no entanto sabemos que alimentam-se de algas e protozoários e surgem em condições excelentes de depuração DBO final menor que 10 mg/L.
    Conheça esses microorganismos:

análise microscópica do lodo

4. Algas e fungos 

Fungos estão presentes em condições de baixo pH (em torno de 5), deficiência de nutrientes, presença de grande quantidade de carboidratos e lodo velho.

Não podemos deixar de falar sobre as “temidas” bactérias filamentosas, sua presença, via de regra, ocasiona baixa sedimentabilidade do lodo, espuma no tanque de aeração e turbidez no efluente final (arraste de sólidos).

As bactérias filamentosas estão presentes quando as condições operacionais mudam drasticamente, mudanças na temperatura, OD, pH, idade do lodo ou mesmo a quantidade de nutrientes disponível dentre outras inúmeras condições.

Mas devemos ressaltar que os microorganismos filamentosos estão presentes fazendo parte da população típica do sistema e são muito bem vindos quando seu crescimento é controlado.

Do contrário, você inevitavelmente terá que lidar com o “bulking”.

A identificação dos microorganismos e filamentos presentes não é um procedimento complexo, usamos alguns critérios morfológicos como forma da célula, dimensão, técnicas de coloração de Gram ou Neisser e pode ser implantado facilmente como parâmetro de monitoramento na ETE.

Se você já dispõe de um bom microscópio, não vai gastar mais que 15 minutos e R$ 0,25 centavos (que representa o custo da lâmina e lamínula para observação) e com isso pode obter uma visão global das condições e desempenho do seu processo de forma ágil, segura e extremamente econômica, e mais, podendo realizar as adequações necessárias rapidamente afim de direcionar ou manter o alto desempenho do sistema.

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Caso você queira aprofundar o estudo na análise microscópica do lodo descrita nessa publicação de uma maneira mais prática, aconselho a dar uma olhada nesse treinamento: Curso de Microbiologia de Lodos Ativados.