Tudo que você precisa saber sobre esgoto doméstico

Tudo que você precisa saber sobre esgoto doméstico

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A coleta e o tratamento de esgoto ainda é um problema no Brasil.

Segundo o estudo do Instituto Trata Brasil, em 2018 o país despejou na natureza o equivalente a 5.715 piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento por dia. Por ano, esse número ultrapassa 2 milhões de piscinas olímpicas de esgoto despejadas de forma indevida.

Mas você sabe do que é constituído o esgoto?

O esgoto, efluente, águas servidas ou residuárias é o termo usado para caracterizar os despejos provenientes dos diversos usos das águas, tais como domésticos, comercial e industrial.

Os esgotos podem ser de origem doméstica, aquele que é formado pela utilização da água para fins domésticos, como lavagem de roupa, de utensílios de cozinha e de pisos, banho, descarga de vasos sanitários, entre outros; pluvial (água das chuvas) e industrial (água proveniente das atividades industriais e comerciais de grande porte, tais como shoppings, petroquímica, siderúrgicas, indústrias têxteis, matadouros, cervejarias, entre outros).

O esgoto doméstico é a parcela mais significativa, provém principalmente de residências e edificações públicas e comerciais. Apesar de variarem em função dos costumes e condições sócio-econômicas das populações, os esgotos domésticos têm características definidas.

Grande parte dos despejos é constituída de misturas relativamente complexas, cuja caracterização pela via química convencional da sua composição pode ser muito demorada e de alto custo.

Esse é não somente o caso dos despejos urbanos (esgoto doméstico) mas também, e principalmente, o caso dos despejos industriais, uma vez que as indústrias, geram despejos finais resultantes de diversas correntes de efluentes originadas dentro da própria planta.

O vetor da poluição, em geral, é constituído de:

1) Matéria em solução:

De natureza orgânica ou inorgânica, biodegradável ou não, ionizável ou não. Podem ainda ser tóxicas ou não, ou pelo menos inibidoras do desenvolvimento da microflora e da fauna do corpo receptor.

2) Matéria em estado coloidal ou em emulsão:

Refere-se a óleos e graxas ou até mesmo associados sob a forma de filmes superficiais (hidrocarbonetos) ou espumas (agentes tensoativos).

3) Matéria em suspensão:

Decantáveis ou não, de natureza orgânica ou inorgânica.

Alguns tipos de sólidos podem ser biodegradáveis. De um modo geral, pode-se dizer que, não ocorrendo significativa contribuição de despejos industriais, os esgotos sanitários constituem-se aproximadamente de 99,9 % de água e 0,1 % de sólidos em peso seco, sendo aproximadamente 70 % de orgânicos e 30 % de inorgânicos, onde:

Orgânicos:
Proteínas 40 a 60 %
Carboidratos 25 a 50 %
Gorduras 10%

Inorgânicos:
Areia, sais e metais.

Tabela 1: Características físico químicas dos esgotos domésticos (Metcalf & Eddy)

Um fator que complica bastante a tarefa para uma adequada caracterização desses despejos, como no caso dos despejos industriais, é a acentuada variabilidade da sua composição e vazão com o tempo.

Além disso, não se deve deixar de mencionar os problemas associados a representatividade das amostras coletadas do despejo real.

Desta forma, podemos entender que se constitui uma tarefa muito difícil, dentro das limitações de tempo disponível, obter-se uma caracterização completa da composição de um dado despejo considerando-se, como mencionado acima, a imensa variedade de formas com que o agente poluidor pode se apresentar neste despejo.

Um efluente pode conter substâncias orgânicas biodegradáveis e não biodegradáveis e contaminantes inorgânicos.

Em função disso, estipulou-se a utilização de indicadores de poluição determinados através de parâmetros globais.

A utilização desses parâmetros globais pressupõe a definição de um equivalente de poluição que possa servir como grandeza básica para a medida do grau de poluição comum a todos os componentes da mistura.

Os métodos globais para medida do teor poluente de um dado despejo são:

  • Demanda Química de Oxigênio (DQO): mede o consumo de oxigênio ocorrido durante a oxidação química da matéria orgânica. É uma indicação indireta, portanto, do teor de matéria orgânica presente. Corresponde a uma oxidação química da matéria orgânica, obtida através de um forte oxidante em meio ácido.
  • Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO): retrata a quantidade de oxigênio requerida para estabilizar, através de processos bioquímicos, a matéria orgânica carbonácea. É uma indicação indireta, portanto, do carbono orgânico biodegradável. É um parâmetro que fornece a biodegradabilidade de um efluente.
  • Carbono Orgânico Total (COT): quantifica o carbono orgânico presente nas águas, pois independe do estado de oxidação da matéria orgânica e não mede outros elementos ligados à cadeia dos compostos orgânicos tais como nitrogênio e hidrogênio, além de compostos inorgânicos que contribuem para a medida pela DBO, DQO e oxigênio consumido.Existem também outros parâmetros que são utilizados como indicadores de poluição:
  • Nitrogênio Total – NTK: inclui o nitrogênio nas formas orgânico, amoniacal, nitrito e nitrato. Nitrogênio e fósforo, com carbono e traços de outros elementos servem como nutrientes e aceleram o crescimento de plantas aquáticas.
  • Nitrogênio Orgânico: é o nitrogênio presente nas proteínas, aminoácidos e uréia.
  • Nitrogênio Amoniacal: é produzido como primeiro estágio da decomposição do nitrogênio orgânico.
  • Fósforo Total: é um indicador do excesso de fósforo nas águas. O fósforo se anexa aos sedimentos sendo, portanto, associado também à poluição dos sedimentos. O fósforo é um nutriente essencial para as plantas e animais, porém, em grandes quantidades nas águas pode causar a proliferação sem controle de algas, que é responsável por limitar e esgotar o oxigênio para os peixes e outros organismos marinhos.
  • Fósforo Orgânico: é a forma em que o fósforo compõe moléculas orgânicas (fosfoglicorídeos, ATP, ácidos nucléicos).
  • Fósforo Inorgânico: presente nas formas de ortofosfato (PO4-3, HPO4-2 e H2PO4-).
  • Cloretos: altas concentrações podem trazer restrições ao sabor da água. As águas naturais apresentam teores diferentes de cloretos nas várias regiões geográficas. Em cada região o teor de cloreto se mantém mais ou menos constante, um aumento sensível do teor normal, pode indicar poluição por excretas ou resíduos industriais.
  • Sulfatos: é um dos principais ânions presentes em águas naturais. Em ambiente anaeróbio, os sulfatos geram sulfetos que são responsáveis por problemas de corrosão, pela emissão de odor desagradável e que, dependendo da concentração podem causar inibição a determinados processos biológicos como a metanogênese.
  • Óleos e Graxas:  aplica-se a grande variedade de substâncias orgânicas que são extraídas das soluções ou suspensões aquosas por hexana ou triclorofluoretano (Freon). Hidrocarbonetos, ésteres, óleos, gorduras, ceras e ácidos orgânicos de cadeia longa são os principais materiais que são dissolvidos por esses solventes.

Nos próximos artigos, aprofundaremos em cada um dos parâmetros.

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