4 motivos pelos quais sua ETE apresenta perda de sólidos e queda de eficiência

4 motivos pelos quais sua ETE apresenta perda de sólidos e queda de eficiência

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O pesadelo do time em uma planta de tratamento de efluentes é se deparar do dia para a noite com uma situação como essa: perda de sólidos no decantador secundário, e olha, já vamos logo avisando que de nada adianta “bater uma água” na superfície para tentar limpar ou conter a situação, é como chover no molhado.

Embora o processo de lodos ativados seja de extraordinária eficiência, problemas existem desde da sua criação, há mais de cem anos. Então vamos direto ao ponto!

Por que isso acontece?

Sabemos o quanto é difícil o controle aprimorado do processo bem como o desenvolvimento de uma visão sistêmica, e infelizmente, isso eleva e muito a conta a ser paga no final do mês, isso quando não nos deparamos com órgão fiscalizador batendo a nossa porta exatamente no momento em que seu decantador parece ter virado de ponta a cabeça!

Arraste de sólidos e queda de eficiência, via de regra, estão relacionados a quatro condições e geralmente atreladas, isso significa dizer, tudo junto e misturado.

1.Excesso de espuma: tem para todos os gostos, marrom, cinza, branca, viscosa, e por aí vai.

2. Alta concentração de sólidos suspensos: isso é mais comum do que imaginamos, e me pergunto, aonde está o balanço de massa? Cadê o programa de descarte de lodo excedente? E aí entra um problema bastante grave, quando perdemos SST (sólidos suspensos totais) no efluente final no decantador secundário, elevamos nossa DBO na saída, isso significa que a eficiência como remoção de DBO começa a cair. Veja isso:

1 mg/L de SST equivale aproximadamente a 0,5 mg/L DBO

Ficou assustado?

3. Alta concentração de material solúvel: comumente tratamos isso como choque de carga, ela atravessa o sistema sem o devido tratamento.

4. Baixo pH: esse é um problema mais fácil de ser corrigido, mas necessita atenção.

A ideia aqui é abordar de forma objetiva as situações que representam a grande maioria dos problemas importantes, mas sabemos que há muitos outros.

Ah, aqui vai uma dica, caso esteja vivenciando alguma experiência aqui relatada, não saia fazendo alterações bruscas no seu sistema e faça uma correção de cada vez, tendo a certeza que está caminhando na direção correta para um resultado positivo.

Perda de sólidos e queda de eficiência na sua ETE

De que forma o excesso de espuma afeta o meu sistema 

Primeiro devemos nos perguntar se a espuma de fato tem um efeito negativo sobre o meu processo, as vezes não, então se ela não afeta o meu processo nem tampouco o desempenho, não devo me preocupar.

Espuma não significa necessariamente um problema, as vezes estamos diante de espuma característica de presença de bactérias filamentosas como a Nocardia por exemplo e pode não estar afetando a qualidade do meu efluente final.

É muito comum esse tipo de situação se tornar um problema porque esteticamente para seu coordenador ou gestor isso é um problema, sendo que de fato isso nem sempre é um problema.

Devo me preocupar? Sistemas com filamentosas costumam apresentar um efluente final tão límpido, bem melhor que “em condições normais de processo”. Monitore, mas não se desespere!

Problemas com espuma na estação de tratamento de efluentes, causas e medidas corretivas são tratadas nesse post, acesse.

Perda de sólidos e queda de eficiência na sua ETE

O que acontece quando estou diante de uma alta concentração de sólidos no efluente final

A alta concentração de sólidos em suspensão no efluente final é causada por duas situações: sedimentabilidade precária ou sobrecarga.

A sobrecarga se dá quando uma alta concentração de sólidos vão para o decantador, geralmente com baixa oxidação, e não retornam para o tanque de aeração ou não retornam tão rapidamente como deveriam.

Isso pode ser facilmente resolvido ajustando a vazão de recirculação, fazendo com que os sólidos saiam mais rapidamente do decantador, se o problema for físico como uma obstrução por exemplo, faça o reparo o quanto antes.

Se o problema for sedimentabilidade precária, o teste de sedimentabilidade ou mais comumente conhecido por Cone Imnhoff realizado em 30 minutos, lhe dará um perfil exato e certamente lhe ajudará no diagnóstico.

No teste fica fácil visualizar a qualidade do lodo, se estamos diante de um lodo velho, se temos um bulking ou lodo jovem, enfim, muita coisa pode ser resolvida no processo com vistas a sedimentabilidade.

Alta concentração de material solúvel, como resolver

Essas condições referem-se principalmente a DBO solúvel e amônia no efluente.

O problema pode ser facilmente resolvido determinado a taxa de respiração, e uma ferramenta bastante simples e que já abordamos anteriormente é a respirometria, pode e deve ser implantada no seu plano de monitoramento da ETE.

Guia de problemas e soluções em lodos ativados

Baixo pH e sua implicação 

Duas condições podem estar presentes para que isso ocorra, afluente com pH baixo ou baixa alcalinidade com nitrificação.

Se o pH do afluente for baixo (ácido) pode ser rapidamente corrigido com intervenção química, se estamos falando de efluente industrial, pode ser que essa intervenção seja necessária e constante.

Se o pH afluente for satisfatório, então o baixo pH do efluente é geralmente causado por nitrificação em combinação com baixa alcalinidade natural.

Se a remoção de amônia for necessária, a nitrificação deve continuar.

Utilização de uma zona anóxica muitas vezes retorna suficiente alcalinidade para elevar o pH de forma satisfatória.

No entanto, se nenhum desses é possível, então pode ser necessário uma intervenção para ajuste de pH, como já comentamos.

E, se tiver qualquer dúvida, entre em contato! 

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